Brinquedos não estruturados: 4 motivos para apostar neles

 

Você talvez não conheça o termo “brinquedos não estruturados”. Mas tenho certeza que eles já fizeram parte da sua infância ou da infância do seu filho, mesmo sem que você tenha se dado conta.

 

Brinquedos não estruturados permitem um brincar livre, sem regras ou instruções sistemáticas. São diferentes de muitos dos comprados na loja de brinquedos e com imenso apelo comercial, como eletrônicos, brinquedos da moda/ de personagens ou mesmo jogos de tabuleiro, que possuem uma lógica a ser seguida na hora de brincar.

 

Os brinquedos não estruturados permitem que a criança transforme a brincadeira inúmeras vezes com as suas ideias e imaginação. É uma oportunidade de criar e construir o que quiser. Como uma caixa de papelão: um dia ela pode ser suporte para um jogo com bolinhas, no outro virar um carro, castelo, foguete, cozinha, etc. A brincadeira nunca termina!

 

Brinquedos assim estimulam diferentes habilidades da criança, como a criatividade e a autonomia. Eles aumentam o potencial de ação dos pequenos, que são agentes principais no brincar.

Exemplos de brinquedos e/ou materiais não estruturados incorporados na diversão:

 

  • Brinquedos de montar ou construir, como blocos de madeira da Tibuá
  • Blocos magnéticos
  • Massinha de modelar
  • Papelão
  • Botões
  • Retalhos de tecido
  • Bolinhas de isopor
  • Tampas
  • Potes
  • Garrafas plásticas
  • Balões
  • Elementos da natureza, como folhas, conchas, pedrinhas, galhos, etc.

 

Agora que você já sabe o que são brinquedos não estruturados confira 4 motivos para apostar neles!

 

1 – Estimulam a criatividade e imaginação

 

O mundo evolui cada vez mais rápido e é possível que a profissão que seu filho terá daqui alguns anos nem exista ainda! Sendo, assim, o segredo para se integrar na sociedade de amanhã é ser criativo. 

 

Como dizia o pensador Jean Piaget: “A infância é o tempo de maior criatividade na vida de um ser humano”. E o brincar com certeza é grande parte disso! Por isso torna-se fundamental promovê-lo na infância.

 

As crianças têm uma habilidade incrível de transformar qualquer item em um brinquedo. A imaginação dos pequenos é admirável e proporcionar um ambiente favorável para o desenvolvimento da criatividade é uma verdadeira missão para os pais e educadores.

 

E como fazer isso? Seguem dois exemplos fáceis para implementar em casar: organizar cestas com tesouros da natureza e deixar as coisas mais na altura da criança para que ela possa pegar. Mas cuidado! Tente não deixar material excessivo e não organizado pois isso desencoraja os pequenos e gera tédio.

 

Atividades que exigem que a própria criança estruture o seu brinquedo estimulam funções cognitivas. Afinal, para isso ela terá que planejar, imaginar, manter o foco e a atenção, se organizar. São exercícios positivos para a autonomia, inclusive ajudando seu filho a brincar sozinho enquanto faz tantas conexões importantes para o seu desenvolvimento.

Quem nunca no parque pegou uma folha para servir de prato, um pouco de terra para fazer uma sopa, uma semente para fazer um avião ou ainda um galho para fazer uma espada? Ter a imaginação de pegar tais objetos para transformá-los é muito melhor pela construção da criatividade da criança do que comprar um brinquedo de cada um desses elementos.

O brinquedo não estruturado é econômico para você, para a planeta (sustentável) e ainda é melhor para seu filho. Precisamos voltar para as nossas raízes!

2 – Proporcionam aprendizagem

 

Além de contribuírem com a criatividade e a imaginação infantil, os brinquedos não estruturados podem dialogar com outras aprendizagens mais sistemáticas em construção ou já adquiridas. A criança pode contar quantos blocos colocou na torre, fazer relações entre muito e pouco com as folhas que coletou no passeio, verificar quantos centímetros tem a caixa que irá se transformar em um robô. 

É também nas brincadeiras não estruturadas que a criança vai descobrir as texturas: duro, liso, frágil, dobra, pesado, etc, pois ela vai ter a necessidade de testar o objeto para ver se ele se encaixa na brincadeira. A folha seca não pode ser uma saia para a boneca se ela quebra, mas pode ser um barco na água, enquanto a pedra não porque afundaria.

Construindo com blocos de madeira, por exemplo, a criança vai testando equilíbrio, centro de gravidade, impacto da altura sobre a construção, etc. Sendo assim, o pensamento lógico e matemático pode ficar evidente no processo de brincadeira com objetos não estruturados, o que é muito positivo para a formação do cérebro e são bases essenciais para a futura escolaridade.

3 – Preservam o meio ambiente

 

O brincar não estruturado permite uma infinidade de brincadeiras. A ação não se limita, como em certos brinquedos convencionais, que são feitos para poucas ações e são deixados de lado depois de poucos dias ou até horas pois não há desafio. Um exemplo: um brinquedo musical. A criança vai apertar algumas vezes cada botão para escutar as músicas e ver as luzes. Depois que ela ver que aquilo sempre se repete vai perder a graça e ficar jogado em um canto.

 

Isso gera poluição com plástico, de eletrônicos e metais pesado, que cedo ou tarde voltam para o mar, a terra e, enfim, para nossos organismos, criando desequilíbrio hormonal, câncer, entre outros problemas de saúde. É longe das nossas intenções, mas infelizmente isso acaba acontecendo com milhares de pessoas consumindo freneticamente.

 

Com blocos de montar, por outro lado, a brincadeira se reinventa e é infinita. A família pode criar um jogo, construir uma torre, fazer figuras dispondo as peças no chão, inventar competições e por aí vai. O brincar vai se transformando conforme o olhar de quem brinca.

 

Sendo assim, o brinquedo é usado por muito mais tempo, podendo inclusive passar de criança para criança, entre primos e amigos. Isso tem um impacto em uma menor produção de lixo, ponto fundamental pensando nos recursos do nosso planeta.

Eles também permitem que a criança se encante com o seu ambiente. Que em um passeio ela observe as folhas, os formatos dos galhos, a especificidade de cada semente. Ou em casa que analise o formato de cada botão, a textura de um retalho de tecido. Isso desperta uma grande sensibilidade pelo mundo que nos cerca. E não é que precisamos dar valor ao que temos para poder agir em sua preservação?

4 – Não representam um apelo consumista

 

Como já dito, o brincar não estruturado pode partir de diferentes materiais, que muitas vezes temos em casa mesmo, como potes, colheres, embalagens de alimentos (caixa de ovos, de cereal, etc), resto de tecido, etc. Também pode ser desenvolvido com matéria-prima que vem da natureza, como conchas, pedras, folhas de diferentes cores e tamanhos.

 

Coisas que são de graça ou mesmo itens de baixo custo que podem ser adquiridos para interações com a criança (como materiais de craft, bolinhas de isopor, etc).

 

Então, não está relacionado com os brinquedos com apelo consumista que inundam os comerciais de TV, os vídeos no YouTube e as propagandas direcionadas ao público infantil. Isso é positivo e pode também contribuir para uma educação para o consumo, evitando compras por impulso e aquele desejo de “eu quero, eu preciso” a cada lançamento voltado para os pequenos. Assim você contribui para formar o consumo consciente, a criação de um ser mais paciente e que sabe lidar com seus desejos imediatistas! Com certeza qualidade que serão essenciais para o amanhã!

 

Mesmo brinquedos não estruturados comprados acabam sendo um investimento, pois são muito usados pela sua versatilidade e assim continuam contribuindo na formação intelectual e cidadã do seu filho.

 

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Como você pode ver, são vários os motivos para apostar nos brinquedos não estruturados. Eles são uma fonte de inspiração na infância, contribuindo para um brincar livre e criativo, além de serem positivos para o futuro do planeta. Então, partiu brincar? 🙂

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