Quando menos é mais: 3 tipos de brinquedos que você deve fugir

Os brinquedos fazem parte da infância e são importantes ferramentas na construção de aprendizagens. Com eles as crianças se desenvolvem e vão conquistando novas habilidades, como coordenação, imaginação e criatividade.

No entanto, é fácil cair nas armadilhas do consumo e exagerar na dose! Propagandas apelativas, personagens coloridos e pequenos cada vez mais expostos às influências comerciais. Uma combinação que pode resultar em uma casa cheia de brinquedos, muitos deles que serão usados pouquíssimas vezes e já acabar no lixo. E vamos combinar que geração de resíduos e reciclagem são temas importantíssimos na atualidade!

Pensando nisso, pontuamos 3 tipos de brinquedo que você deve fugir ou comprar com muito cuidado e consciência. Confira:

 

1 – Brinquedos de plástico

 

Você sabia que 90% dos brinquedos fabricados no mundo são de plástico? O número é assustador, bem como outros dados divulgados com a pesquisa Infância Plastificada, conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pedido do Programa Criança e Consumo, do Instituto Alana.

O estudo estima que entre 2018 e 2030 serão produzidos cerca de 1,38 milhão de toneladas de brinquedos de plástico, considerando apenas o mercado formal. O volume equivale a 198 mil caminhões de lixo, que enfileirados representam a distância de São Paulo até Salvador. Isso sem considerar as embalagens desses brinquedos, que em muitos casos são plásticas também.

O plástico é um grande problema da sociedade contemporânea. Isso porque:

 

  • A quantidade de produtos plásticos produzidos e consumidos é imensa. Olhe ao seu redor agora. Quantos itens desse material você consegue contar?
  • Os desafios de reciclagem são grandes. Entre eles: a estrutura do processo de coleta seletiva e a falta de políticas de logística reversa (para as empresas assumirem junto a responsabilidade pelo material que produzem). Além disso, muitos materiais que são misturados com o plástico no apelo de brinquedos infantis, como glitter e materiais sintéticos, tornam a reciclagem ainda mais difícil e, em alguns casos, impossível.
  • Aquele brinquedo de plástico baratinho que você comprou para o seu filho e ele mal deu atenção ainda estará na terra por muitas gerações. Alguns tipos de plástico podem levar até 500 anos para decomposição. O número impressiona, especialmente se multiplicarmos pela quantidade de itens plásticos que fazem parte do nosso dia a dia.
  • Alguns tipo de plástico são feitos a partir de resíduos do petróleo e podem demorar mais de 400 anos para se decompor. Além disso, vale lembrar que o petróleo é um recurso não renovável.
  • O plástico é nocivo para a saúde e nem todo tipo de plástico é adequado para a fabricação de brinquedos. Análises em brinquedos já mostraram amostras de metais como cádmio, chumbo, cromo e até mesmo vestígios de tório, elemento radioativo. Tais substâncias contaminam o ar. Elas podem ser inaladas, absorvidas pela pele ou até ingeridas pela criança, especialmente as mais novas que colocam tudo na boca. O perigo oculto é grande e pode causar asma, alergia, câncer e problemas hormonais.
  • A degradação também cria o “microplástico”, que volta para a natureza, como para água e para solo, sendo posteriormente ingerido pelo ser humano. Uma pesquisa alemã aponta que o “microplástico” pode absorver produtos tóxicos encontrados nos oceanos, como pesticidas e materiais pesados, representando um risco não só para a biodiversidade, mas também para a saúde humana.

 

Outro ponto importante a considerar quando pensamos nos brinquedos de plástico é o apelo comercial relacionado. A indústria de brinquedos representou 71% das publicidades dirigidas aos pequenos na TV paga em um monitoramento feito em 2019. Datas como Dia das Crianças e Natal impulsionam os anúncios, que criam uma cultura de imediatismo, o sentimento de “eu preciso ter” e “agora”. É a cadeia do desejo-consumo-descarte, também alimentada por canais no YouTube e vídeos de “unboxing”, com crianças abrindo produtos recebidos por empresas para uma divulgação disfarçada de conteúdo ou entretenimento.

 

Então, melhor ficar longe dos produtos de plástico ou, quando optar por comprar, que seja com um olhar crítico e pensando na vida útil daquele objeto.

 

2 – Brinquedos eletrônicos

 

Música, movimento e luzes coloridas! Os brinquedos eletrônicos chamam a atenção dos pequenos e lotam as prateleiras das lojas voltadas para o público infantil.

Mas antes de escolher o próximo brinquedo eletrônico do seu filho, vale a pena pensar nos seguintes aspectos:

 

  • Eles geralmente precisam de pilhas ou baterias, que são muito poluentes e também enfrentam problemas quando o assunto é o descarte correto de materiais para evitar a poluição do solo e de rios.
  • Muitos são feitos de plástico, que conforme já falamos, são um grande problema da atualidade.
  • Os brinquedos eletrônicos podem quebrar fácil e são fabricados pensando na obsolência programada, ou seja, logo uma atualização ou versão superior surge forçando a pessoa a comprar outro. O conceito também é relacionado com um aparelho feito para quebrar depois de um certo tempo de uso. As empresas fazem isso colocando uma peça frágil perto de uma peça que aquece, por exemplo. O fabricante pensa nisso propositalmente para que seja necessária uma reposição do item um tempo depois da compra. Outros exemplos de obsolência programada: impedir o reparo ou optar por peças especiais que não são facilmente substituídas, dificultar o acesso à peças, com plástico soldado ou encaixe de uso único, etc.
  • Os eletrônicos também podem ser analisados pelo ponto de vista da recompensa imediata. Brinquedos com muito estímulos estão associados com a liberação do hormônio da recompensa, aquele que funciona como um pequeno afago e deixa a pessoa com um gosto de quero mais. É o mesmo mecanismo do botão de like do Facebook, do coração de curtir do Instagram e das reações dos Stories. Com brinquedos assim os pequenos recebem uma estimulação exagerada e se tornam dependentes do sentimento de compensação. O resultado é uma criança impaciente, sem persistência e refém do prazer da conquista imediata. Nada positivo, não é? E acontece bastante não só com brinquedos eletrônicos, mas diante do acesso aos aparelhos tecnológicos de modo geral, como celular, tablet e videogame.

 

Afinal, essas indústrias manipulam nossos desejos e nossos prazeres. O resultado é um consumismo frenético, compulsório, imediatista e que gera muito dinheiro a custo da saúde do nossa planeta.

Mais um ponto a considerar é que boa parte dos brinquedos eletrônicos é voltada para uma fase específica da criança. Isso faz com que logo ela perca o interesse, pois o brincar fica limitado e repetitivo.

Crianças são seres curiosos e buscando constantemente novos estímulos. Então aquele laptop de um personagem famoso da TV acaba ficando de lado depois de poucos dias pois as suas possibilidades já foram totalmente exploradas. Isso é o chamado brinquedo estruturado, que possui uma finalidade específica e não permite interações mais criativas. 

 

3 – Brinquedos da moda

 

Uma coisa em comum nos comerciais de TV e nas lojas de brinquedo é o espaço ocupado por personagens e produtos relacionados com grandes empresas e franquias. Marvel e Disney são apenas alguns dos exemplos que tentam seduzir as crianças no mercado de brinquedos infantis.

Um dos problemas com tais brinquedos é que eles são da moda, muitas vezes relacionados com algum último lançamento do cinema ou da televisão. Assim, são brinquedos datados, que logo serão substituídos por algo novo e com um apelo de mídia mais forte.

Outra questão é que eles não estimulam a individualidade, induzem as crianças a gostarem do mesmo que todo mundo gosta pelas influências comerciais envolvidas. Podem inclusive levar a situações de bullying pela padronização de interesses.

Os brinquedos da moda também são analisados pelo ponto de vista da construção de estereótipos, como “toda menina é uma princesa que gosta de rosa e roxo” e “todo menino é forte e envolvido em brincadeiras de guerra e combate”.

Por mais que algumas marcas já tentem mudar essa imagem, colocando meninos e meninas em embalagens e anúncios de brinquedos diversos (como meninos na publicidade de cozinhas infantis, para quebrar a imagem que cozinhar é “coisa de menina”), o movimento ainda é muito pequeno. Por isso, vale repensar os nossos hábitos de consumo e que tipo de empresa queremos valorizar.

 

 

 

4 – Soluções possíveis

 

Nem tudo está perdido! Não queremos dizer para você sair jogando fora todos os brinquedos plásticos, eletrônicos e com personagens que você ver pela frente. Nosso propósito é incentivar uma tomada de consciência que automaticamente vai refletir nas suas atitudes de consumo.

Comprar com cautela e observando qualidade e quantidade (sem exageros!) é um caminho possível. Assim, as exceções se tornam uma possibilidade de diálogo entre a família, aproveitando a oportunidade para uma educação para o consumo. É assim que criamos os filhos como cidadãos conscientes para o mundo de amanhã.

Com informação, na próxima vez que você quiser presentear o seu filho ou outra criança, a reflexão vai acontecer com mais naturalidade. Será que isso será útil? Durável? Vai proporcionar diferentes estímulos? Pode passar para outras crianças depois? Se as respostas para essas perguntas forem NÃO a chance do brinquedo acabar no lixo ou pegando pó em casa é bem grande!

Então, como fugir desse tipo de brinquedo para buscar uma alternativa mais sustentável? Veja as nossas sugestões:

 

  • Incentive a produção nacional e valorize pequenos e médios empreendedores, pensando em um comércio justo e sustentável.
  • Crie o hábito de comprar em brechós de brinquedos e procure conhecer o trabalho das empresas de aluguel de brinquedos. Tais iniciativas permitem que a vida útil de um item seja prolongada, levando alegria para várias famílias.
  • Pesquise por brinquedos de madeira com certificação. Eles são uma opção ecologicamente mais adequada e que ganham muitos pontos positivos no quesito durabilidade.
  • Ainda no aspecto da vida útil do brinquedo, procure opções que serão usadas em diferentes estágios da infância, como os blocos de madeira Tibuá. Eles acompanham o crescimento da criança e se adaptam para diferentes brincadeiras, inclusive envolvendo os adultos nas atividades voltadas para imaginação e criatividade. Versatilidade é a chave, assim a brincadeira nunca termina!
  • Evite exageros em datas comemorativas, como Natal e aniversário. Uma boa alternativa é apostar em combinados, como a criança escolher um presente maior para a família comprar junto (pais e avós numa vaquinha).
  • Incentive a doação periódica de brinquedos. Envolva a criança na escolha dos itens que não estão mais sendo usados e promova uma troca com os amiguinhos ou encaminhe para instituições que podem fazer um aproveitamento, como escolas ou centros de caridade.
  • Privilegie presentes que valorizem mais a experiência do que o consumo material, como uma viagem, passeio, teatro ou show musical, etc.

 

O importante é estimular o brincar ao mesmo tempo em que cuidamos da nossa família e do nosso planeta!

Lindo natal,

 

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